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quarta-feira, 6 de março de 2013

Estudo revela origem genética dos judeus


Há séculos historiadores e religiosos debatem sobre os judeus asquenazes, de origem europeia, que somam quase 90% dos cerca de 13 milhões de judeus existentes no mundo.
Um estudo recente aponta que a origem dos judeus na Europa seria uma mistura de ascendências de diversas tribos que se converteram ao judaísmo. Publicado em janeiro pela revista científica britânica Genome Biology and Evolution, a pesquisa comparou os traços genéticos de 1.287 pessoas. Elas não possuíam nenhum vínculo familiar e eram descendentes de oito grupos de populações judias e mais 74 não judias.
O especialista em genética da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins, nos EUA, Eran Elhaik, procurou mutações no DNA ligadas à origem geográfica dos grupos.
Concluiu-se que os judeus do leste europeu descendem dos cazares, que seria uma mistura de clãs turcos que se instalaram no Cáucaso nos primeiros séculos. Influenciados pelos judeus da Palestina, teriam se convertido ao judaísmo no século VIII.
Os judeus cazares tiveram um império próspero, atraindo os judeus da Mesopotâmia e do Império bizantino. Com isso, se expandiram em direção à Hungria e Roménia. Atacado pelos mongóis e debilitado pela peste negra, o império cazare acabou no século XIII.
Os cazares remanescentes foram mais para o Ocidente, fixando-se na região do que hoje é a Polônia e a Hungria. Posteriormente, se espalharam pela Europa central e ocidental.
“Concluímos que o genoma dos judeus da Europa é um mosaico de povos antigos, incluindo cazares, judeus greco-romanos, além dos judeus da Mesopotâmia e da Palestina”, explica Eran Elhaik. “A estrutura de sua população se formou no Cáucaso e às margens do Volga, tendo raízes até a região de Canaã e as margens do Jordão”, frisou.
Estes padrões indicadores já tinham sido utilizados no passado para lançar luz às origens dos bascos ou dos pigmeus do sul da África.
Entre os judeus da Europa, o geneticista encontrou “assinaturas” ancestrais que apontam claramente para o Cáucaso e, em menor medida, para o Oriente Médio.
Segundo Eran Elhaik, estes resultados sustentam a teoria rival da hipótese renana, conhecida com o nome de “hipótese Cazare”. Segundo o estudioso, a história identificada nos genes encontra eco nas descobertas arqueológicas, na literatura judaica que descreve a conversação dos cazares ao judaísmo, bem como na evolução da língua.
Isso pode derrubar a teoria mais popular até agora, a “renana”, a qual afirma que os judeus asquenazes foram para o sul da Europa fugindo da conquista muçulmana na Palestina em 638 d.C. Somente no final da Idade Média é que foram para as regiões da Renânia, Alemanha e Leste Europeu.
Alguns estudiosos consideram tal hipótese inverossímil do ponto de vista demográfico, pois pressupõe uma improvável “explosão” no número de judeus da Europa oriental, subindo de 50.000 pessoas no século XV para 8 milhões no século XX. Isso significaria uma taxa de natalidade dez vezes superior à da população local não judia.
Os teóricos ressaltam ainda as dificuldades econômicas, doenças, guerras e os pogroms (ataques violentos contra judeus), que arruinaram estas comunidades durante vários séculos. Com informações de Science Daily e Acontecer Cristiano

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